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terça-feira, 31 de março de 2009

SEXO COM MENINAS POR R$ 15,00 NA FERCAL




Erika Klingl - Correio Braziliense Comentários Avalie esta notícia



Publicação: 31/03/2009 07:56 Atualização: 31/03/2009 08:07 Quando a professora viu as três meninas chegando de cabelo molhado na sala de aula, às 16h de um dia normal de escola, não teve dúvidas. Iara*, de 13 anos, Jaqueline*, 12, e Antônia*, 13, precisavam de conselhos. As amigas foram atraídas pela fama de um lugar no coração da Fercal que, além de crianças e adolescentes, reúne homens de Sobradinho, Planaltina e de 12 comunidades da região. Lá, a exploração sexual infantil ocorre em plena luz do dia, na curva do Córrego da Sucuri, com direito a trilha sonora, cerveja e os mais variados tipos de droga. Aos 15 anos, Rafaela* conhece bem a realidade que deixa lotado o pequeno ribeirão de água gelada até nas tardes de dias úteis.

O procedimento é sempre o mesmo. As meninas entram na água de roupas íntimas e deixam as camisetas, saias e calças espalhadas pela margem. De vez em quando, uma delas sai da água para se mostrar aos adultos ou jovens que vão até lá. É quase como se fosse uma escolha de mercadoria. A aproximação se dá ali mesmo no córrego e as relações sexuais ocorrem atrás de moitas, pedras ou dentro da água. Na imensa maioria das vezes, sem nenhum tipo de proteção.

O pagamento é negociado a cada abordagem, a partir do que o explorador tem para oferecer. Quem tem droga paga com maconha, cocaína, crack, merla e até haxixe. A última delas é a mais valiosa e garante maior poder ao explorador. Já o crack não é aceito por todas. “O crack acaba com a gente. Eu não vou por ele”, afirma Rafaela. Quem não tem, dá dinheiro. E não é necessário muito. Uma transa pode sair por menos de R$ 15.

“Durante três anos eu fui ao córrego todos os dias em vez de ir para a aula”, conta a garota. Nesse período, dos 12 aos 15 anos, ela perdeu os três anos letivos. Todos por falta. A adolescente também perdeu um bebê. Com 13 anos, teve a gravidez interrompida aos seis meses quando foi empurrada no chão em uma briga. Três dias antes de conversar com a reportagem do Correio, a rotina de Rafaela foi descoberta pelo irmão mais velho e levada ao conhecimento dos pais. Desde então, ela tenta se manter longe de lá, mas admite que está difícil. O apelo das drogas e das amigas fala alto. “É ‘de boa’. Não tem nada demais e a gente se diverte”, comenta Paula, 17.

“Pior é ir ao posto. Lá, sim, é ‘esparrado’”, diz, referindo-se à gíria usada para designar um lugar muito frequentado por gente conhecida. Paula sabe o que diz. Há dez dias, ela foi vista saindo da boleia de um caminhão carregado de cimento, das fábricas da região, pela tia. “Ela tinha ido comprar pão e me viu. Foi difícil disfarçar”, comenta. As duas admitem que existem riscos na atividade, principalmente longe dali. “Quando os caras chamam a gente para ir ao Plano ou para Planaltina, eu não vou. Se acontece alguma coisa lá ninguém fica sabendo”, diz Paula.

Fio de cabelo
Quando as primas Rita*, 14, e Luiza*, 17, chegaram ao Córrego do Sucuri, o som do bar tocava a todo o volume o clássico sertanejo Fio de Cabelo na voz de Chitãozinho e Xororó. As duas riram e foram direto para a água. Foram necessários menos de 10 minutos para que um carro estacionasse ao lado da curva do córrego. Dois amigos de 22 anos desceram do automóvel com uma garrafa de vodca e um pacote pequeno, fechado com um nó. Dentro, havia cocaína. “Dei uma fugida do trabalho e vim aqui curtir e relaxar a cabeça”, disse um deles. “A gente não força nada. Elas só fazem o que querem, que é curtir também.” Naquele dia, Luiza fez sexo após consumir uma grande quantidade de vodca e voltou para casa apenas depois que o cheiro do álcool foi embora.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda foi procurada para comentar os problemas ligados à juventude na região da Fercal, principalmente a exploração sexual de meninas. A secretária Eliana Pedrosa admitiu que a região inspira cuidados. “Lá, temos o problema do grande fluxo de caminhoneiros. Nossas equipes estão com atenção redobrada”, afirmou. “Vamos pelo menos uma vez por semana lá. Não é a frequência ideal, mas isso irá mudar com a conclusão do concurso para assistentes sociais em abril.”

De acordo com Eliana Pedrosa, quem atende as principais denúncias é o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) de Sobradinho. “Não é uma apuração e combate simples porque quem pratica a exploração sexual de crianças e adolescentes não conta isso abertamente e as meninas e meninos também se recolhem e não se abrem para os problemas”, completa.

Escola precisou ser transferida

Na comunidade de Queima Lençol, a poucos quilômetros da Fercal, a exploração ocorria na porta de um centro de ensino fundamental, às margens da DF-150, até o ano passado. “Os caminhoneiros não conseguem carregar os veículos no dia em que chegam e dormem nas boleias”, diz um professor. “As meninas que esperavam o início da aula ficavam sujeitas à exploração.” O problema, denunciado por professores, foi somado às queixas de poluição do ar e resultou na transferência da escola, por exigência do Ministério Público do DF.

Desde 9 de fevereiro, os 454 estudantes estudam em Sobradinho II. A transferência desagradou à comunidade, formada, em sua maioria, por funcionários da fábrica de cimento. O medo de que a escola não volte a funcionar ali fez com que se criasse uma lei do silêncio. “Não posso falar porque meu pai não quer”, disse uma menina de 14 anos. “Só sei que acontecia perto da pedreira”, diz a garota. (EK)

O que diz a lei

A exploração sexual implica a utilização de crianças e adolescentes com fins comerciais e lucrativos. Quase sempre existe um aliciador, pessoa que lucra intermediando a relação entre a criança ou o adolescente e o usuário ou cliente. É caracterizada também pela produção de materiais pornográficos — vídeos, fotografias, filmes, sites. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem artigos que protegem meninos e meninas de crimes sexuais. A Lei 8069/90 prevê no Art. 244 uma pena de quatro a dez anos de reclusão e multa para quem submeter criança ou adolescente à exploração sexual. Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas sexuais. Vale ressaltar também que relação sexual com pessoa menor de 14 anos é tida como violência presumida, ou seja, segundo a lei brasileira, estupro. Pelo art. 224 do Código Penal, menores de 14 anos não têm maturidade suficiente para consentir uma relação sexual.

2 comentários:

  1. Isso é uma vergonha!!!
    No centro do Poder, das decisões politicas, a capital federal assistir cenas como essas: de exploração sexual de crianças e adolescentes.
    A falta de políticas do Estado, da omissão da sociedade e da família são fatores que certamente contribui para que estes tipos de crimes contra a infância e adolescencia acontecem todos os dias, em todos os lugares do país.
    O Estatuto da Criança e do Adolescente diz: E dever da Família, do Estado e da Sociedade zelar pelos ditreitos da Crianças e adolescentes.
    TODOS NÓS SOMOS RESPONSÁVEIS POR ZELAR PELAS NOSSA CRIANÇAS!!!

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  2. O pior é saber que tais situações são do conhecimento de grande parte das pessoas. E as pessoas acham tudo natural, normal e ás vezes acha até graça. Crianças são crianças, não importa o que a maioria de hipocritas tentam divulgar e colocar no coeciente coletivo. criança é pra ser criança. criança tem que estudar, brincar, ter todos os tipos de cuidado, inclusive o amor da familia e o respeito da sociedade. Caso você conheça algum caso parecido com a referida matéria denuncie disque 100 contra exploração sexual de crianças e adolescentes.

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