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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Assassinatos de gays cresceram 55% em 2008


Fonte:Redação Terra


Um relatório do Grupo Gay da Bahia aponta que 190 homossexuais foram assassinados no Brasil em 2008, o que representa um aumento de 55% em relação ao ano anterior, que teve 122 homicídios.

Segundo o levantamento, Pernambuco é o Estado mais violento, com 27 assassinatos, e o Nordeste, a região mais perigosa - um gay nordestino corre 84% mais risco de ser assassinado do que nas regiões Sudeste e Sul.

O estudo mostra que 13% das vítimas tinham menos de 21 anos e predominam os travestis profissionais do sexo, cabeleireiros, professores e ambulantes. O Brasil é o campeão mundial de crimes homofóbicos, seguido do México, com 35 assassinatos em 2008, e Estados Unidos, com 25.

De 1980 a 2008, foram documentados 2.998 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, concentrando-se 18% na década de 80, 45% nos anos 90 e 35% (1.168 casos) a partir de 2000.

Os dados baseiam-se em notícias de jornal e internet, já que não existem estatísticas governamentais sobre crimes de ódio no Brasil. Os dados do relatório são creditados e citados pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos e pelo Departamento de Estado dos EUA.

terça-feira, 31 de março de 2009

SEXO COM MENINAS POR R$ 15,00 NA FERCAL




Erika Klingl - Correio Braziliense Comentários Avalie esta notícia



Publicação: 31/03/2009 07:56 Atualização: 31/03/2009 08:07 Quando a professora viu as três meninas chegando de cabelo molhado na sala de aula, às 16h de um dia normal de escola, não teve dúvidas. Iara*, de 13 anos, Jaqueline*, 12, e Antônia*, 13, precisavam de conselhos. As amigas foram atraídas pela fama de um lugar no coração da Fercal que, além de crianças e adolescentes, reúne homens de Sobradinho, Planaltina e de 12 comunidades da região. Lá, a exploração sexual infantil ocorre em plena luz do dia, na curva do Córrego da Sucuri, com direito a trilha sonora, cerveja e os mais variados tipos de droga. Aos 15 anos, Rafaela* conhece bem a realidade que deixa lotado o pequeno ribeirão de água gelada até nas tardes de dias úteis.

O procedimento é sempre o mesmo. As meninas entram na água de roupas íntimas e deixam as camisetas, saias e calças espalhadas pela margem. De vez em quando, uma delas sai da água para se mostrar aos adultos ou jovens que vão até lá. É quase como se fosse uma escolha de mercadoria. A aproximação se dá ali mesmo no córrego e as relações sexuais ocorrem atrás de moitas, pedras ou dentro da água. Na imensa maioria das vezes, sem nenhum tipo de proteção.

O pagamento é negociado a cada abordagem, a partir do que o explorador tem para oferecer. Quem tem droga paga com maconha, cocaína, crack, merla e até haxixe. A última delas é a mais valiosa e garante maior poder ao explorador. Já o crack não é aceito por todas. “O crack acaba com a gente. Eu não vou por ele”, afirma Rafaela. Quem não tem, dá dinheiro. E não é necessário muito. Uma transa pode sair por menos de R$ 15.

“Durante três anos eu fui ao córrego todos os dias em vez de ir para a aula”, conta a garota. Nesse período, dos 12 aos 15 anos, ela perdeu os três anos letivos. Todos por falta. A adolescente também perdeu um bebê. Com 13 anos, teve a gravidez interrompida aos seis meses quando foi empurrada no chão em uma briga. Três dias antes de conversar com a reportagem do Correio, a rotina de Rafaela foi descoberta pelo irmão mais velho e levada ao conhecimento dos pais. Desde então, ela tenta se manter longe de lá, mas admite que está difícil. O apelo das drogas e das amigas fala alto. “É ‘de boa’. Não tem nada demais e a gente se diverte”, comenta Paula, 17.

“Pior é ir ao posto. Lá, sim, é ‘esparrado’”, diz, referindo-se à gíria usada para designar um lugar muito frequentado por gente conhecida. Paula sabe o que diz. Há dez dias, ela foi vista saindo da boleia de um caminhão carregado de cimento, das fábricas da região, pela tia. “Ela tinha ido comprar pão e me viu. Foi difícil disfarçar”, comenta. As duas admitem que existem riscos na atividade, principalmente longe dali. “Quando os caras chamam a gente para ir ao Plano ou para Planaltina, eu não vou. Se acontece alguma coisa lá ninguém fica sabendo”, diz Paula.

Fio de cabelo
Quando as primas Rita*, 14, e Luiza*, 17, chegaram ao Córrego do Sucuri, o som do bar tocava a todo o volume o clássico sertanejo Fio de Cabelo na voz de Chitãozinho e Xororó. As duas riram e foram direto para a água. Foram necessários menos de 10 minutos para que um carro estacionasse ao lado da curva do córrego. Dois amigos de 22 anos desceram do automóvel com uma garrafa de vodca e um pacote pequeno, fechado com um nó. Dentro, havia cocaína. “Dei uma fugida do trabalho e vim aqui curtir e relaxar a cabeça”, disse um deles. “A gente não força nada. Elas só fazem o que querem, que é curtir também.” Naquele dia, Luiza fez sexo após consumir uma grande quantidade de vodca e voltou para casa apenas depois que o cheiro do álcool foi embora.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda foi procurada para comentar os problemas ligados à juventude na região da Fercal, principalmente a exploração sexual de meninas. A secretária Eliana Pedrosa admitiu que a região inspira cuidados. “Lá, temos o problema do grande fluxo de caminhoneiros. Nossas equipes estão com atenção redobrada”, afirmou. “Vamos pelo menos uma vez por semana lá. Não é a frequência ideal, mas isso irá mudar com a conclusão do concurso para assistentes sociais em abril.”

De acordo com Eliana Pedrosa, quem atende as principais denúncias é o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) de Sobradinho. “Não é uma apuração e combate simples porque quem pratica a exploração sexual de crianças e adolescentes não conta isso abertamente e as meninas e meninos também se recolhem e não se abrem para os problemas”, completa.

Escola precisou ser transferida

Na comunidade de Queima Lençol, a poucos quilômetros da Fercal, a exploração ocorria na porta de um centro de ensino fundamental, às margens da DF-150, até o ano passado. “Os caminhoneiros não conseguem carregar os veículos no dia em que chegam e dormem nas boleias”, diz um professor. “As meninas que esperavam o início da aula ficavam sujeitas à exploração.” O problema, denunciado por professores, foi somado às queixas de poluição do ar e resultou na transferência da escola, por exigência do Ministério Público do DF.

Desde 9 de fevereiro, os 454 estudantes estudam em Sobradinho II. A transferência desagradou à comunidade, formada, em sua maioria, por funcionários da fábrica de cimento. O medo de que a escola não volte a funcionar ali fez com que se criasse uma lei do silêncio. “Não posso falar porque meu pai não quer”, disse uma menina de 14 anos. “Só sei que acontecia perto da pedreira”, diz a garota. (EK)

O que diz a lei

A exploração sexual implica a utilização de crianças e adolescentes com fins comerciais e lucrativos. Quase sempre existe um aliciador, pessoa que lucra intermediando a relação entre a criança ou o adolescente e o usuário ou cliente. É caracterizada também pela produção de materiais pornográficos — vídeos, fotografias, filmes, sites. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem artigos que protegem meninos e meninas de crimes sexuais. A Lei 8069/90 prevê no Art. 244 uma pena de quatro a dez anos de reclusão e multa para quem submeter criança ou adolescente à exploração sexual. Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas sexuais. Vale ressaltar também que relação sexual com pessoa menor de 14 anos é tida como violência presumida, ou seja, segundo a lei brasileira, estupro. Pelo art. 224 do Código Penal, menores de 14 anos não têm maturidade suficiente para consentir uma relação sexual.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Reportagem do Portal da Imprensa

"A matéria abaixo, já foi tema de uma de nossas oficinas de teatro popular. E vale também como uma bandeira de guerra, contra toda a hipocrisia dos nossos meios de comunicação." Paulo Dantas

Telejornalismo é inseguro para cobrir a temática gay, diz pesquisa
Uma das questões principais da reprodução da desigualdade está no fato de os telejornais não separarem sexo de gênero
Portal Imprensa
Da Redação
Enquanto a cidade de São Paulo se prepara para receber, no próximo dia 25, milhões de pessoas para a Parada do Orgulho Gay - com mobilização do comércio, da rede hoteleira, de agências de viagens e de empresas de entretenimento e lazer - a mídia impressa e eletrônica ainda é tímida na hora de dar espaço para a temática gay.
A constatação é do jornalista, historiador e professor Irineu Ramos, que, em sua dissertação de mestrado, analisa as reportagens que os telejornais das TVs abertas fizeram da Parada Gay de 2007, e que agora completam um ano.
"O jornalismo eletrônico deixa transparecer uma forte insegurança na hora de cobrir os eventos e os fatos gerados pelo acontecimento da Parada paulista. Tanto que é incapaz de relatar questões subjetivas do mundo homossexual", diz Ramos. Para o pesquisador, os telejornais tornam-se prisioneiros de temas-chavão e, com isso, produzem um gay que pouco tem a ver com a realidade.
Para explicar melhor a questão da identificação desses temas, o jornalista efetuou a clipagem (captura de imagens) de todas as reportagens das TVs abertas envolvendo a Parada de 2007, no período compreendido entre cinco dias antes da festa (a preparação) e dois dias após (o rescaldo). Nesse espaço de tempo, a Parada Gay foi notícia 48 vezes.
"Os telejornais praticamente ignoraram os aspectos relacionados à sub-cultura gay (o que daria subsídios e condições para uma discussão junto com a sociedade) e prenderam-se apenas em questões concretas, como o faturamento do comércio, a lotação dos hotéis e as ocorrências policiais envolvendo punks, roubos de celulares e assassinato de um turista francês, por exemplo", diz.
Ramos explica que ignorar toda a realidade humana de um segmento da sociedade - reduzindo este universo social a uma fonte de renda para o comércio - é estabelecer fronteiras que delimitam categorias sociais e culturais: "deixar de lado a diversidade que compõe o mundo homossexual é estabelecer regras de conduta e produzir mais desigualdade".
Uma das questões principais da reprodução da desigualdade está no fato de os telejornais não separarem sexo de gênero. "Isto é uma forma hegemônica de ver o mundo. A TV não consegue transmitir gêneros sociais sem estabelecer vínculo com o comportamento sexual", comenta. A falta dessa distinção faz com que o telespectador não consiga entender a diferença entre um e outro. Com isso, acaba reproduzindo conceitos preconceituosos.
Países como os Estados Unidos dispõem de entidades organizadas para reduzir o preconceito sexual na mídia. Em Los Angeles, por exemplo, a Gay and Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD), instituição especializada na atuação junto aos meios de comunicação contra a difamação sexual é chamada por diretores de programas de televisão de cinema para identificar se determinado projeto de filme ou entretenimento tem cunho preconceituoso.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ensaios do teatro GLBT


Anexo do Roteiro de Teatro Popular (GLBT) (04)

1ª experiência de Teatro Foro

Observações e experiências desenvolvidas

Foi comandado aos participantes que formassem duplas e criassem uma mini-peça do universo GLBT com duração mínima de cinco minutos, em quatro situações propostas abaixo:
No ônibus
No trabalho
Na escola
Em casa
Dinâmica: a peça era encenada normalmente uma primeira vez, e logo em seguida era encenada novamente com a participação do público (participantes da oficina e pessoas que estavam assistindo a aula). A participação do público se deu da seguinte forma, a partir da segunda apresentação as pessoas falavam “stop”, a cena parava e a pessoa falava o que estava errado na cena, e a mudança que pretendia operar dentro da peça.

1ª cena: no ônibus uma garota conversa com sua amiga ( e essa amiga é somente representada, não há presença física da mesma), sobre seu relacionamento afetivo e amoroso com outra garota, no banco de trás um passageiro fica irritado com a conversa e começa a ofender as duas garotas. Xingando-as de sapatão e demonstrando grande homofobia. A 1ª garota tenta desconversar e aceitar os insultos do homem, que não para de ofende-la e não a deixa descer no seu ponto.
Número de alterações: 1
Tempo: 15 minutos
Alteração: a amiga da garota ganha corpo e voz e reage contra seu antagonista. (mudança sugerida por Samantha, participante da oficina).
Desfecho: violência física entre antagonista e a amiga da garota.

2ª cena: no trabalho dois funcionários estão conversando na hora do almoço, até que o telefone do rapaz toca, ele atende e começa a conversar com outra pessoa de sexo até então não identificado. O rapaz desliga o telefone e se despede falando: tchau Daniel te amo! O outro funcionário se assusta e começa a recriminar e a ameaçar a integridade física do rapaz, por conta da sua orientação sexual.
O rapaz tenta disfarçar mas não consegue se livrar de seu antagonista, que até mesmo joga fora sua marmita e chama um terceiro elemento para ajuda-lo a divulgar a orientação sexual do rapaz e a constrange-lo até o ponto do mesmo ir embora.
Número de alterações: 3
Tempo: 25 minutos
Alteração: uma copeira aparece e recrimina o antagonista, o chefe aparece e recrimina o antagonista, o filho do antagonista aparece e assume que é homossexual. Todos vão resolver o problema no escritório do chefe.
Desfecho: sem punição aparente a qualquer um dos envolvidos.


3ª cena: pai lendo a bíblia junto a mãe, a mãe resolve chamar o filho que está no quarto a participar da leitura. Quando a mãe chega ao quarto do filho, o encontra se maquiando e com roupas femininas. Cria-se uma grande confusão e no decorrer da mesma o filho é expulso de casa.
Número de alterações: 4
Tempo: 35 minutos
Alteração: no quarto está escondido o namorado do filho que enfrenta os antagonistas, chega o obrero, o obrero desqualifica aquele tipo de relacionamento entre homossexuais. Chega o filho do obrero que revela ser gay.chega o namorado do obrero que o desmascara na frente de todos. O filho revolta-se com o alcoolismo e o jogo (vícios secretos) do pai e o fato do filho sustentar sozinho o lar.
Desfecho: O filho, o namorado do filho, o filho do obrero e o namorado do obrero demonstram toda a hipocrisia contida no lar “cristão” e os quatro saem juntos pra balada.

4ª cena: chega um professor (gay) substituto e tenta ministrar uma aula. O mesmo encontra um antagonista diferente (gay e negro) e os dois travam uma batalha verbal sem sentido um desqualificando o outro sistematicamente.
Número de alterações: 11
Tempo: 50 minutos
Alteração: entra o diretor da escola, quatro alunos, dois policiais, um promotor de justiça, o pai do aluno, o professor titular e um ativista GLBT.
Desfecho: Todos são orientados a resolverem seus conflitos e não serem preconceituosos. O aluno foi expulso, o professor foi preso, o pai foi expulso da escola.


Considerações finais:
Todos participaram da aula, modificaram a estrutura da apresentação, contudo continuaram com alguns preconceitos velados ou explícitos. Foi uma boa ponte entre os medos, conflitos e possíveis soluções.